Diário, pensamentos e versos de uma sonhadora!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Entre mil decisões

Sabe aquela cartinha parda maravilhosa? Chegou! E apesar de ter sido um vendaval, uma emoção imensa, depois de quase um mês sem postar, posso dizer que com certeza não é esse o evento que me traz até este blog. De qualquer forma, o nosso cronograma se atualizou:

Envio do processo Quebec: 03/11/2015
Recebido pelo MIDI: 06/11/2015
Débito da taxa: 28/11/2015
Chegada de carta de confirmação: 28/12/2015
Emissão do CSQ: 03/05/2016
Envio do processo Federal: 01/06/2016
obs: enviado com os exames já feitos!
Recebido: 08/06/2016

Na verdade, o que me faz escrever são as decisões! Eu sei que imigrar pressupõe "jogar-se", "aventurar-se", mas quando se trata de algo tão grande e com uma filha pequena, buscamos imaginar todas as prováveis situações que possam nos acontecer para minimizar o impacto da mudança. Imagino como é viver lá, como seria o nosso dia-a-dia. Qual bairro nos representa melhor? Que cidade tem nosso estilo? Onde será melhor? 

Imagino. E cada vez que o faço, mudo de opinião. Eu sei que, depois de estar lá, mudar de opinião quanto a onde viver é pouco diante do que é mudar de continente. Estou tranquila, não acho que preciso ir já decidida onde vou morar pelo resto da vida. Mas é inegável o quanto essas decisões "pequenas" tem sugado os meus pensamentos e minhas horas.

Eu sei, preciso viver e fazer o que eu puder fazer aqui para melhorar minha qualidade de vida lá: como estudar o francês! Mas parece que se eu leio uma noticia de um local, ou vejo foto de amigos que estão lá, eu não posso fazer mais nada a não ser fuçar sobre minha provável casa, a provável garderie da Eva ou a provável cidade, ou... ou... Adeus estudos! :(

Estou chegando a conclusão de que vamos realmente mudar de opinião em relação a cidade-destino algumas muitas vezes, mas no final, o que quer que seja, onde quer que formos, vai dar certo! Isso é só o começo, nós já tomamos a decisão mais difícil: estamos indo embora. Poder começar do zero, será fabuloso.

"Toda glória deriva da ousadia para começar." Eugene F. Wane 


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Dominando a língua!

Salut!

Esses dias, me vi sentindo um prazer imenso pelo francês. De todos os conselhos que ouvi de quem está na luz, o que mais se repete é 'invista na língua' ou 'domine o francês'.

Sabe, sou louca para 'aprender' a correr. Acho o máximo quem participa de maratonas e viaja o mundo para praticar esse esporte. Acredito que correr seja maravilhoso, ainda mais quando você ganha de brinde uma bela vista ao redor - me imagino correndo a beira do rio Saint Laurent ou participando da maratona de Boston.

Enfim... o Rômulo sempre me estimula e fala que correr no começo é chato. Você anda mais devagar que aquelas senhorinhas que fazem alongamentos com os bombeiros na praça; não sabe respirar direito e fica sentindo aquelas dores 'desviadas' embaixo da costela; chega em casa morto e no outro dia parece que foi espancado. No entanto, quem persevera, sente o prazer da evolução e será premiado com a adrenalina e o vento.

Assim também é com um novo idioma. Nossa, cheguei a chorar de raiva depois da minha primeira aula com a Samara (Pardon, Samara! Aujourd'hui, je t'aime beaucoup.). Sendo assim, só por hoje, experimente superar a barreira da dor, da raiva, do medo ou da ansiedade (ou tudo isso junto) e persevere. Eu posso prometer a você: vale a pena! Não esqueça que nesse processo o francês é item de sobrevivência.

;)

À bientôt.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Salut Federal!

Bonjour à tous!

esses dias de "pós emissão do CSQ" fica aquele mix de tensão com felicidade. Alguns conhecidos do processo de novembro/2015 que também tiveram seus CSQ's emitidos (1 semana antes da gente mais ou menos) já estão recebendo suas lindas cartas pardas, então acho que vou tomar alguns sustos a medida que eu ouvir o carteiro passar na rua. Às vezes, ele grita "Correios!!!" quando faz alguma entrega pela vizinhança e precisa que a pessoa abra o portão para assinar. Aí, eu dou um pulo mesmo! hehehehehe...

Enquanto a bendita cartinha não chega, estamos vendo os detalhes do fomulário do processo federal. Nossa, eles querem saber até o nome dos bichos de estimação que tivemos. "Eu digo tudo, tudo, pode perguntar, só liberem minha entrada!".

Deixando as brincadeiras de lado, o que me faz escrever hoje é um fato interessante que o marido descobriu há algum tempo, mesmo antes da emissão do nosso CSQ: Fazer o exame antes da solicitação federal para mandar junto e (aparentemente) antecipar a resposta!

O Rômulo começou a verificar que algumas pessoas que receberam o CSQ recentemente conseguiram agendar com o médico oficial pra fazer o exame e já enviar com o formulário para o federal e receberam a resposta que solicitava o envio do passaporte com apenas 4 meses (em média). Ficamos muito felizes com a possibilidade de ter essa resposta rápida, sabemos que ultimamente o consulado que trata da parte federal do nosso processo tem respondido as pessoas em média com 6 (seis) meses, mas antecipar isso um pouco seria bom. Lógico, se você não está assim louco pra ir amanhã como a gente - eu já quero fazer as malas - tem coisas pra resolver, está tranquilo e "afinal, são só dois meses!". Tudo bem, ça va!

Importante ressaltar:
1 -  Nem todo médico cadastrado que faz esses exames aceita fazer antes da solicitação do federal. É bom ligar, se informar e não forçar a barra. Afinal, o  cara, de repente, pode atrasar a sua vida.
2 - No momento que você faz os exames, você tem um limite para ir embora: 1 anos a partir da data do exame. Depois disso, perdeu!

Enfim, é isso... Moramos em Fortaleza/CE e falamos com o Dr. Dirk e ele disse que bastava o número do nosso passaporte que ele faria sem problema. :D

Que comecem os jogos - Parte II

À bientôt.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O que aconteceu?

Bonjour,

se você ler os dois posts anteriores vai ter uma leve idéia do que fez esse blog surgir. Anseios e um novo sonho: imigrar! Desde 2013 até agora, trilhamos um caminho que você deve pensar "Bem, quase 3 anos nessa história, muito demorado, meio longo esse processo.", mas eu diria "Voou!".

Nos bastidores do processo de imigração, vou tentar resumir: tivemos que desenvolver um perfil 'aprovável', ter pontos para sermos selecionáveis ao processo de trabalhador qualificado do Quebec. Não falávamos francês suficientemente para pontuar, nossa profissão não é a que mais pontua, não tínhamos filhos (Eva nasceu no meio disso!). Por onde começar?

Já diz meu marido que se ele pensasse que ia demorar o que demorou, ele não tinha nem começado e nós nem estaríamos aqui. Por isso, se você quer uma dica, mova-se! Enquanto você pensa se vai dar certo, se tem tempo, o que pode mudar... tudo isso é o tempo que você estaria gastando em FAZER!.

Voltando ao resumo da história desses últimos meses: o marido alcançou um bom nível de francês, tivemos uma filha (Eva, 1 ano 4 meses 9 dias) e o processo mudou um pouco. Pegamos o último processo aceito em papel pelo Quebec (enviamos a nossa documentação em novembro/15), a promessa agora é que tudo será online e não mais FIFO (first in first out = primeiro a entrar primeiro a sair), mas sim um ranking (melhores pontuados) o que dificultaria a nossa vida (estamos no raspo do tacho do mínimo de pontos necessários) e nos faria mudar de estratégia.

Enfim, processo enviado:

A abertura do processo foi informada em de outubro/2015, não tinha tempo de fazer tudo, mas estávamos preparados (documentação traduzida) pois o processo havia sido paralisado por mais ou menos um ano, devido aos reajustes que eles queriam fazer. Assim, o recebimento de documentos seria a partir de 04/11/15.

Envio: 03/11/2015
Recebimento pelo MIDI: 06/11/2015
Débito da taxa: 28/11/2015
Chegada de carta de confirmação: 28/12/2015
Emissão do CSQ: 03/05/2016

Agora a coisa tá mega séria! heheheeh

O último que sair, feche a porta!

À bientôt!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Aprendendo a voar



Oi pessoas,


14 de setembro de 2013:


>> A imigração já não está tão distante de nós. Ela já é um dos nossos planos que faremos de tudo para conquistar e muita coisa tem mudado em tão poucos dias. Não brincamos mais sobre esse assunto, a imigração não será mais temporária e não esperaremos os 3 anos da estabilidade para nos aventurar, pois já não vemos mais a imigração como uma aventura. Somos pássaros no processo de mudança das estações e temos que sair daqui se quisermos sobreviver. Estamos pensando na imigração como um processo sem volta. Ao escrever isso é que eu percebo o quão forte é e o quão difícil vai ser para as pessoas entenderem. Li uma frase que faz todo o sentido para esse nosso momento: "Toda glória deriva da ousadia para começar." Eugene F. Wane

É ousado e difícil pensar em sair do seu país, da sua vida, da sua rotina. É muito complicado começar a arrancar as raízes e dizer pro coração que ele está autorizado a voar, sonhar coisas "impossíveis" e distantes. Até ontem a minha "ficha não tinha caído". De vez em quando, em pequenas coisas, era como se eu não estivesse pensando em sair daqui. Até que ganhei uma revista de decoração. AMO ver coisas de decoração, imaginar reformas na minha casa, móveis que eu compraria, onde eu mandaria fazer algo personalizado, que cor eu pintaria a minha casa e papeis de parede que acho bonito.

Mas dessa vez, comecei a foliar as páginas e não deu tesão, sabe? Porque era um prazer para mim isso, mas as minhas asas estão abrindo. Ainda não vi casas no Canadá, não consigo mais imaginar os móveis na minha casa, pois não sei como ela será se eu for embora. As minhas raízes gemeram com isso. Senti vontade de chorar e fiquei com medo.


Não é fácil!

Está difícil organizar as coisas dentro de mim, hoje o meu emocional e a minha razão não estão bem ajustados. Já é difícil para mim não se entregar a emoção. Então, tento olhar para os meus planos mais próximos, os que a imigração não vai mexer. Tento olhar para minha formatura no final do ano. Tento olhar pra pequena reforma que terei que fazer, mesmo se eu for embora. Porém, uma coisa é fato, já não consigo me permitir desistir totalmente desta ida. Meu coração já anseia pelos ares canadenses.<<

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Raízes e Asas

Achando manuscritos e recordando...(escrito em setembro/2013)

Oi!

Meu nome é Sarah, sou cristã e sou casada desde 19/02/11 com o Rômulo. Tenho duas irmãs mais velhas, Tábita e Rebeca, e um irmão mais novo, Caio e sou filha do Léo e da Rita. Tenho um ótimo exemplo em casa do que é um casamento de respeito e cumplicidade, tenho amigos, conhecidos, ciclos de conversas e depois que me sinto segura, facilmente agrego pessoas ao meu redor e a timidez vai embora.
Nasci, me criei e vivo em Fortaleza - Ceará, Brasil! Amo o meu país, a minha cidade e tudo o que sempre vivi aqui. Ou seja, tenho raízes bem fincadas. Sempre fui, e desejo continuar sendo, uma mulher de sonhos, planos e faço acontecer. Meu marido é igual a mim. Se queremos, acredite, nós fazemos de tudo para conseguir. Afinal, somos dois administradores!
Então, em agosto de 2013 (mês passado) realizamos um desses sonhos: passamos nossas férias, 20 dias, nos Estados Unidos da América (EUA). Minha irmã Rebeca mora lá, ela é casada a quase dois anos com um americano e vive em Taunton, Massachusetts.
Vivemos dias agradáveis demais, fomos para várias cidade do estado de Massachusetts e para Nova York, nos sentimos livres, seguros, nos aventuramos, conhecemos a cidade, as pessoas, as culturas, comemos em lugares mais caros e até no "One Dollar Menu" do McDonald (Aliás, que saudade do One Dollar Menu). Ou seja, nos permitimos provar um muito de tudo!
Mas essa experiência fez os nossos olhos se abrirem e as asas coçarem. Pois percebemos que não é utópico viver em um país seguro, com pessoas educadas, com as ruas limpas, onde as leis são cumpridas, onde você usufrui de serviços bons mantidos pelos seus impostos (serviço público de qualidade), onde as pessoas olham para você com respeito, onde você não precisa ser muito rico para viver bem, etc etc etc.
Foi um balde de água fria sobre mim. O Rômulo falava, antes mesmo de voltarmos dos EUA, em vermos como é o processo de imigração para o Canadá. Um casal de amigos nossos estão tentado ir para lá, outros conhecidos moram lá. Afinal, o que é que tem lá? Será que é tão frio assim? Será que as pessoas são tão frias como dizem? Será que é impossível conseguir imigrar? O que tem lá? A gente podia se arriscar, né? Por um ano só?
Então começamos a brincar com isso na viagem. 
O Rômulo acabou de passar em dois concursos de nível superior, ele passou a vida dele toda tentando isso. Podíamos esperar a estabilidade, ele tirava uma licença não remunerada por um ano e a gente viveria por um ano no Canadá. Que tal?
Eu fingi ser só brincadeira dele. Afinal, poderíamos nos aquietar um pouco. Aumentar nossa casa, ter filhos, eu podia parar de trabalhar, seguir carreira acadêmica.
Minhas raízes estavam bem colocadas no chão!
Enfim, voltamos ao Brasil e tem sido um baque viver amedrontado. Querer mudar o portão de casa porque é mais seguro e ter que pagar quase R$ 3.000,00 por isso. NÃO QUERO! Já pago imposto para segurança, cadê? Meu marido não pôde me deixar na faculdade e andar meio quarteirão até a casa de um amigo porque dois marginais apontaram um revolver para ele! COMO PODE? Compro um relógio bonito para minha sogra e ela diz que não pode usar em qualquer lugar porque vão roubar, "só quando tiver um evento importante". PORQUE?
As raízes começaram a doer em mim. Como é esse negócio de imigração mesmo?
Ele fala fala fala e eu penso "legal, vamos voar", mas as minhas raízes ainda rangem e gemem: "Peraí sua covarde, vai para onde? Tá fugindo, não ama mais o seu país? Você é fraca, sabia? Ah! Isso de violência é relativo, e sua família?" Já escuto a voz dos hipócritas e ainda não sei se revidarei, se chorarei ou se terei somente misericórdia deles.

"Às vezes queria ser uma alienada para não sofrer tanto, para não sentir os ventos soprando e anunciando tempos melhores em outro lugar e a minhas asas não coçarem" - Sarah Cavalcante Barbosa

Então, vamos aprender a voar? Acabei de sair do casulo.